Dia da Mulher: 8 executivas compartilham suas trajetórias e conselhos sobre liderança

Para que uma empresa possa ser chamada de diversa, a contratação é apenas o primeiro passo

Mulheres ainda ocupam apenas 37,4% dos cargos gerenciais no país, segundo o IBGE

Para que uma empresa possa ser chamada de diversa, a contratação é apenas o primeiro passo. É preciso também garantir as condições para que elas possam subir dentro da companhia e atingir postos de comando. Hoje, apenas 37,4% dos cargos gerenciais são ocupados por mulheres. Muitas vezes, elas ficam para trás, mesmo que tenham mais anos de estudo ou experiência que os seus pares homens. “Quando não vemos mulheres em posições de liderança, isso não está associado à falta de capacidade”, diz Maria Sartori, diretora de recrutamento da Robert Half. “O que falta é a criação de um ambiente acolhedor dentro da empresa.

Neste Dia da Mulher, 8 líderes de diferentes segmentos compartilharam com Época NEGÓCIOS suas trajetórias e seus conselhos para ajudar outras mulheres e mudar esse quadro.

Cristiane Amaral, sócia-líder da área de Talent da EY para a região de LAS (Latin America South)

Aos 16 anos, Cristiane saiu do interior da Bahia para cursar faculdade, desafiando o pai. Na sua primeira oportunidade profissional, trabalhou de graça – só depois de seis meses no cargo, provando seu valor, passou a receber metade de um salário mínimo. Perseverante, já desistiu de uma entrevista de emprego ao ouvir do recrutador que “contratar mulher dá prejuízo”.https://48e1232f6a125d711067f3b1d64ed794.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Foi promovida à sócia na EY aos 32 anos, durante a licença-maternidade. Hoje, aos 47 anos, continua dando demonstrações de força, ao equilibrar o trabalho com a dedicação ao marido. Há cinco anos, ele teve um problema sério de saúde na Áustria e os médicos chegaram a declarar morte cerebral. “Eu falei para a médica de lá: vou te dar notícias, porque tenho certeza de que ele vai melhorar”, diz. “E continuo mandando, pois cada dia ele está melhor.”

A inspiração para seu estilo de liderança vem da mãe. “Para ela, nada era impossível”, afirma. “Isso valia para mim e vale para todas as pessoas. Quando somos apaixonados por que fazemos, não há limites. Eu nunca foquei em um cargo ou em uma posição, mas sim em fazer algo que pudesse transformar a vida das pessoas. O resto foi consequência.”

Daniela Cachich, CMO LATAM e SVP de Marketing da PepsiCo Brasil Alimentos

Formada em Administração pela Universidade Mackenzie, com MBA em Marketing pela ESPM e um curso de extensão no INSEAD, Daniela começou a carreira na IBM. Depois, atuou por 10 anos na Unilever, onde participou da formação da Heineken no Brasil, ocupando o cargo de CMO. “Eu sempre tive muito clara em que posição queria chegar: a número 1 de Marketing de uma grande companhia”, diz Daniela. Em 2016, foi contratada pela PepsiCo, onde hoje ocupa a posição de CMO LATAM e SVP de Marketing da PepsiCo Brasil.

“Durante muito tempo, minha geração acreditou que, para sentar num cargo como o meu, era necessário se portar como um homem, se vestir como homem, abrir mão de casar e ter filhos. Só assim seria possível ser incluída nesse ambiente”, diz. Isso aconteceu, diz, por que não havia referências femininas que servissem como modelo. “Quanto mais mulheres ocuparem cargos de alta liderança, mais fácil será para outras executivas acreditar que podem alcançar essas posições.”

Para ela, a liderança feminina é mais humana. “Ser mãe é transformador. E ser mãe e profissional faz com que possamos criar novas prioridades, mostrar nossas vulnerabilidades e trazer um olhar mais humano para a companhia.” Seu conselho para outras profissionais é traçar um plano claro, com confiança no seu potencial. “Isso está me levando ou me afastando de onde quero estar?”: essa é a pergunta que você deve fazer. Ninguém tem o direito de colocar limites no seu potencial.”

Gabriela Vargas, COO da Zenvia

Gabriela Vargas, COO da ZENVIA, em luz azul

Depois de começar a carreira com produção de eventos, Gabriela fez a transição para inteligência de mercado, motivada pela vontade de equilibar vida pessoal e profissional. “Regredi na minha senioridade, reposicionei minha carreira pensando na qualidade de vida e deu super certo”, diz.

O caminho não foi fácil: no mercado de tecnologia, já teve experiências em que seus projetos foram apresentados por colegas homens, para dar “credibilidade”. Mas não tem arrependimentos.

Mãe de dois filhos, não deixa de lado a sensibilidade na hora de liderar. “Sou exigente, mas muito preocupada com as pessoas”, diz. Na pandemia, conta que sempre deixou a porta aberta para conversas mais acolhedoras com os funcionários. 

Seu conselho para outras executivas? Nunca peça desculpas por ter uma opinião e sempre exija seu direito à fala. Nas reuniões, Gabriela observa que muitas colegas ficam desconfortáveis por saber mais do que outros na sala. Segundo ela, isso deve ser celebrado, não escondido. 

Guacira Jovencio Monteiro de Oliveira, gerente selecionadora do McDonald’s

Guacira começou sua história do McDonald’s há 25 anos, como atendente de restaurante. Desde 2008, é gerente selecionadora, conduzindo processos seletivos, admissão e integração de novos colaboradores. “Acredito que o fato de eu ser mulher, negra, a primeira graduada da família e criada em uma comunidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, fez com que eu deposite todo o esforço que tive ao longo da vida no meu trabalho”, diz Guacira, que diz prezar a diversidade na sua atuação.

Responsável pela contratação de mais de 30 pessoas com deficiência, acredita que seu trabalho está apenas começando. Para quem está traçando seu caminho, ela recomenda que não deixe as dúvidas afetarem sua autoconfiança. “É importante ter em mente qual é o seu objetivo e focar nos resultados”, diz. “Lembre-se que tem potencial e a força de vontade para isso.”

Guadalupe Franzosi, presidente da Ingredion no Brasil

A argentina Guadalupe Franzosi deixou para trás a vontade estudar Engenharia Civil depois de ouvir do pai que “não existem banheiros femininos em canteiros de obras”. Em vez disso, optou por Engenharia Química, e já na faculdade começou a estagiar em uma grande empresa.

Depois de trabalhar durante 22 anos na DuPont (boa parte deles nos Estados Unidos), foi chamada para assumir a posição de Presidente da Ingredion no Brasil, em novembro de 2020. “No meio desse caminho, conheci meu marido, casei, mudamos de país 2 vezes e tive 2 maravilhosos filhos brasileiros”, diz. “Mas tive que enfrentar os estereótipos sobre como a sociedade acredita que uma mãe deve ser.”

As conversas com outras mulheres fizeram com que percebesse que “não podia ser a melhor mãe, a melhor esposa e a melhor profissional, tudo mesmo tempo”. Por tudo isso, hoje é uma líder que valoriza a empatia e tenta antecipar as preocupações do time, principalmente das mulheres. “Se eu pudesse voltar no tempo eu falaria para mim mesma: ‘Não se preocupe, você vai dar conta, sim!’.”

Priscila Pizano, diretora de Marketing da General Mills no Brasil

Formada em relações internacionais, Priscila não sabia bem o que fazer com o diploma. “Foi por meio de líderes que acreditaram no meu potencial que pude migrar para o Marketing e encontrar minha vocação.” O contato com mulheres inspiradoras ao longo da sua trajetória fez toda a diferença. “Elas me ajudaram a desenvolver a minha autoconfiança.”

Em uma dessas mentorias, aprendeu a moldar seu estilo: ao tentar ser assertiva, ela era vista como arrogante pelos colegas. “Percebi como era possível me manter fiel aos meus princípios e usar isso a meu favor”, diz. “Passei a ser vista como firme e colaborativa.”

Há 15 anos na General Mills, hoje é capaz de identificar suas fortalezas – e aconselha jovens profissionais a fazerem o mesmo. “Se confundirem sua escuta ativa com passividade ou falta de poder de decisão, mostre como você pode transformar uma ideia mediana em algo sensacional”, afirma. “E não sinta que precisa fazer essa jornada toda sozinha. Tudo fica mais fácil quando existe a troca de experiências.”

Rose Gabay, Diretora de Recursos Humanos do grupo Odontoprev

Formada em psicologia, Rose construiu sua carreira em grandes grupos nacionais e em bancos estrangeiros, o que fez com que tivesse de lidar com um ambiente corporativo predominantemente masculino,. “O desafio para as mulheres é a necessidade de ser aprovada constantemente pela sua competência. Para validar minha posição, sempre busquei atualização e conhecimento.”https://48e1232f6a125d711067f3b1d64ed794.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Há 12 anos na Odontoprev, aprendeu que o líder tem o papel de inspirar a transformação, respeitando as diferenças e formas de pensar de sua equipe. E é isso que procura fazer hoje. Para as iniciantes, diz que o autoconhecimento é fundamental. “Saber o que te motiva é essencial para uma trajetória de sucesso. Assim terá mais força para lutar sempre pelo sim.” pelo sim.”

Zilda Maria Hessel, diretora de consultoria de TI da SONDA

“Venho de uma família humilde. Por isso, minha meta era começar a trabalhar aos 14 anos, assim que terminasse o ensino fundamental”, conta Zilda. Hábil em matemática, fez colegial técnico em processamento de dados, “a profissão da moda” em 1986. Ainda no ensino médio, começou a atuar como programadora trainee em uma empresa de médio porte.

Depois de passar por diversos cargos, migrou definitivamente para a gestão de TI. O ambiente “hostil, até perverso” que encontrou no setor fez com que ela se adaptasse, aprendendo a responder de maneira efetiva ao machismo e ao assédio.

“Com o tempo, fui percebendo que meu diferencial competitivo é justamente o fato de ser mulher. Acredito que a chave do sucesso é usar como ferramenta de trabalho minhas habilidades como mulher e mãe”, diz. “Entre elas, estão a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo e de resolver conflitos con facilidade.”https://48e1232f6a125d711067f3b1d64ed794.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Para as mulheres que querem ingressar no mundo da tecnologia, ela tem uma recomendação: “Não se deixe intimidar. Não abra mão da sua personalidade e estilo de trabalhar. O universo da TI precisa de diversidade de ideias, de gênero, de raça, de credo. Quanto mais plural tornarmos esse ambiente, mais seremos criativos e produtivos.”

Matéria originalmente publicada em: https://epocanegocios.globo.com/Mulheres-da-nossa-Epoca/noticia/2021/03/dia-da-mulher-8-executivas-compartilham-suas-trajetorias-e-conselhos-sobre-lideranca.html

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Zenvia

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